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Evasão escolar: causas, consequências e como evitar

Em tempos de pandemia e de uma possível crise econômica que se aproxima no Brasil e em vários países do mundo, um dos mais implacáveis adversários da educação aparece e ganha força: a evasão escolar com suas causas e consequências.

Para começo de conversa temos que entender a evasão escolar como o ato de o aluno deixar de frequentar as aulas, abandonar os estudos. Um problema antigo agravado por fatores diversos e que afeta muitos alunos de escolas públicas, mas também de escolas particulares.

Nesse texto vamos tentar refletir sobre o que eleva a evasão escolar e também sobre algumas alternativas para evitar o aumento desse número. 

A evasão escolar em números

Em 2017, a percentagem de abandono dos estudos nos anos iniciais na escola pública era de 0,9% e de 0,2% nas particulares.

O número evidencia o que já havíamos falado sobre este ser um problema maior e mais frequente, embora não exclusivo, nas escolas públicas.

Um estudo de 2018, do Todos pela Educação, apresenta dados bastante preocupantes sobre a evasão escolar:

→ O Brasil possui cerca de 3,2 milhões de jovens de 19 anos, mas apenas 2 milhões (63,5%) deles já concluíram o Ensino Médio.

→ Dos 1,2 milhão de jovens que ainda não finalizaram a Educação Básica, 62% (720 mil) já nem frequentam mais a escola. Desses, mais da metade (55%) parou os estudos ainda no Ensino Fundamental.

E mais, segundo o Censo Escolar de 2018, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as matrículas na Educação Básica caíram 1,3 milhão em 4 anos.

Esses são apenas alguns números dessa realidade preocupante.
Mas afinal, o que explica dados como esses?

Condições financeiras adversas

No caso de escolas públicas esse é um problema recorrente. Há, no Brasil, alunos com dificuldades básicas para se alimentar, para se vestir, comprar materiais e até mesmo para se deslocar até sua escola. Alguns moram em regiões tão carentes que problemas como falta de saneamento e energia elétrica dificultam ainda mais a possibilidade de estudar.

No caso das escolas particulares a coisa é um pouco diferente.

Uma família mais abastada e que comece a enfrentar dificuldades financeiras tende a cortar alguns luxos e mordomias antes de mudarem a escola dos filhos. Mas quando essa hora chega é muito comum haver inadimplência ou pedidos por descontos na mensalidade, o que algumas vezes chegam a conseguir.

Fato é que a desigualdade social é um problema crônico no país. Ela requer ações das autoridades competentes para ajudar os alunos de escolas públicas a se manterem nas escolas. 

Já as particulares tem outras opções. Podem negociar melhores prazos de pagamento ou mesmo valores com os pais para que mantenham seus filhos na escola. O interesse desses pais em conseguir isso é grande.

A falta de sentido ou interesse

Sim, o desinteresse nasce quando a escola não consegue mostrar ao aluno o valor do que ele está aprendendo. Além disso, se existe grande dificuldade do aluno no aprendizado, sem ações para ajudá-lo, o problema aparece.

Sabemos que existem muitos fatores externos que afetam o interesse e aprendizagem do aluno. Porém, questões como a informatização e o dinamismo das aulas podem estimular o interesse dos alunos com o que está sendo ensinado. 

Vivemos em tempos diferentes, tecnológicos, conectados e muito rápidos. Aquele velho modelo de sala de aula (professor falando, escrevendo no quadro, aluno copiando) não dá mais. Para envolver o aluno é preciso uma forma mais condizente com a realidade que ele conhece fora da escola, no ambiente digital.

Mas não se engane! Mesmo escolas particulares, com uma excelente infraestrutura e tecnologia, precisam ter projetos de educação. Devem estar alinhados às necessidades e interesses de uma geração cada vez mais desafiadora em suas demandas e anseios pessoais.

Falta de acompanhamento eleva a evasão escolar

Os professores conhecem os alunos pelo nome? Fazem a chamada, olham nos olhos, dão feedbacks das atividades? Se o aluno sente que ninguém ali se importa com ele, em sua individualidade, especialmente na complexa adolescência, perde a motivação.

O educador que consegue mostrar interesse pelos alunos, elogiar, motivar e até mesmo cobrar de forma certa e inspiradora, gera confiança. Isso aumenta no aluno o sentimento de que aquele esforço é válido, de que estar ali faz diferença.

Nesse sentido, vale investir no contato com os pais para que haja maior sintonia e esforço conjunto para o êxito desse aluno na escola, o bom e velho diálogo entre pais e mestres.

Gravidez na adolescência e vícios

Dois problemas que podem até ser mais presentes no contexto de uma comunidade mais carente, porém aparecem, com frequência, em qualquer ambiente. 

De um lado, alunas que engravidam muito cedo e acabam abandonando os estudos para cuidarem dos filhos. Algumas retornam e outras nunca mais.

Do outro lado vícios, como a bebida, também podem aparecer na vida de crianças e jovens. Isso os leva a lidar com problemas grandes demais para eles e o resultado disso é, muitas vezes, a evasão escolar. 

Esses dois pontos reforçam a questão do valor do acompanhamento da escola e de ações preventivas. Feiras, eventos, trabalhos e diálogo ajudam a conscientizar meninos e meninas sobre os riscos e dificuldades que esses dois temas trazem para suas vidas.

A necessidade de trabalhar desde cedo

Esse não costuma ser um problema em famílias com filhos na rede particular, mas sim da rede pública.

O que têm mais valor para uma família pobre, em profunda dificuldade, o diploma de um filho ou o salário dele no fim do mês? Por mais cruel e triste que seja, para muitas famílias nessa condição o dinheiro tem mais valor.

Não é que o diploma não tenha valor, mas comida na mesa será sempre uma prioridade e é necessidade básica. Infelizmente, muitos alunos precisam começar a trabalhar cedo demais para ajudarem suas famílias e com isso os estudos ficam em segundo ou em último plano.

Algumas escolas conseguem se esforçar para criar condições para que alunos que trabalhem consigam estudar. É sempre um grande desafio e requer uma série de ações de impacto para que isso seja possível, mas acredite, faz diferença. 

Em resumo, o que fazer para evitar a evasão escolar?

Para cada caso apresentamos uma possibilidade, uma alternativa de ação, nem sempre fácil, que as escolas possam tentar adotar. Porém, resumindo, tudo se baseia em:

– Reavaliar a didática do ensino
– Investir em tecnologias (e projetos) de educação
– Mostrar interesse pelo aluno e acompanhar sua trajetória
– Estabelecer o diálogo com os pais para engajá-los nessa tarefa
– Promover debates, trabalhos e reflexões sobre temas como drogas e sexo
– Buscar condições para que alunos que trabalham se mantenham na escola

Longe de serem tarefas fáceis essas são, acima de tudo, ações necessárias.

A evasão escolar é um grave problema social, seja para a escola pública ou a privada.

As questões sociais requerem profundos estudos, planejamento e ações dos governos para minimizar os riscos na rede pública. Já na rede privada muitas vezes estará no diálogo com os pais e nos projetos de educação a resposta para minimizar o problema.

Seja como for uma coisa e fato: lugar de criança e adolescente é na escola.

Até o próximo post!

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